Tudo o que vem à rede é peixe

04
Jun 09

Domingo, finais de Maio. Durante a manhã entretenho-me a preencher a declaração modelo 22 do IRC de uma pequena sociedade. Durante o almoço descubro que me esqueci de inscrever um campo muito importante da declaração. "Irra, é preciso uma declaração de substituição!" Depois do café, vou à net mas fico barrado no problema.

Mas eis que leio o que não acredito ser verdade: a Direcção-Geral dos Impostos tem à disposição uma linha de atendimento ao domingo! Não é possível, pensei! Das Finanças ao domingo? Ligo. Atende-me a voz mais bem disposta e acolhedora que já ouvi nos últimos meses. Ao domingo, das Finanças, a trabalhar, e a falar assim? "- Ó sr. Duque, vamos já tratar do assunto" diz-me, a misturar sorriso com palavras a saberem a café. Um minuto depois, problema resolvido.

Nunca entendi porque é que as repartições de Finanças, especialmente as Tesourarias, não são os locais mais agradáveis e de melhor atendimento do mundo. Se em qualquer empresa me tratam bem para eu largar o meu dinheiro em troca de bens ou serviços, porque é que 'nas Finanças', onde me 'entrego' totalmente ao meu Estado, sem exigir qualquer esforço ou serviço directo, me não recebem num sofá, me não servem café e scones e não tratam os contribuintes pagadores como clientes VIP?

Admitia que aos relapsos incumpridores lhes destinassem as caves bafientas, mal arejadas, com impacientes filas de espera, atendidos em pé, pelos mais antipáticos e associais funcionários. Mas aos cumpridores "Senhor, porque lhes dais tanta dor?!"

Com novas e mais amigáveis ferramentas, as Finanças, reconheço, têm feito um enorme esforço por tornar mais leve o nosso cumprimento das obrigações fiscais (muito embora as cores escolhidas para o novo Portal das Finanças tornem difícil a visibilidade dos textos e dos menus - cuidado!). Até as mais novas repartições já permitem a espera e o atendimento sentado, pontuadas aqui ou além por funcionários simpáticos e colaboradores.

Teria eu estranhado se, num stand de automóveis, fosse bem recebido? Então porque estranho o bom Portugal na administração pública? Deixo naquele funcionário anónimo, atendedor de domingo, os meus parabéns pela forma excepcional como me atendeu, embora seja triste eu considerar isso uma anormalidade.

João Duque , Professor Catedrático do ISEG

publicado por RiViPi às 15:09

10
Jun 08

Mensagem do Presidente da República às Comunidades Portuguesas

 

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Nesta celebração do Dia de Portugal, mas também das Comunidades Portuguesas, quero saudar de forma muito particular todos os Portugueses da diáspora, dirigindo-lhes uma mensagem de estímulo e de reconhecimento.

Desde o início do meu mandato tenho tido a preocupação de realçar o mérito dos Portugueses que vivem e trabalham no estrangeiro, o importante papel que desempenham na afirmação de Portugal no mundo, que tive a oportunidade de testemunhar em diversas ocasiões.

Foi o que aconteceu, há pouco menos de um ano, quando me desloquei aos Estados Unidos da América para visitar as comunidades das áreas de Boston, Fall River, New Bedford e Newark ou, mais recentemente, quando, no Rio de Janeiro e em Maputo, contactei com Portugueses que vivem e trabalham no Brasil e em Moçambique.

Sabemos que não é de hoje a aventura portuguesa no mundo. Mas, se os Portugueses que partiram da sua pátria têm uma história feita de determinação e de engenho, têm também um presente e terão, certamente, um futuro que importa valorizar.

Foi com este objectivo que decidi apoiar a criação do “Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa”, que tive a oportunidade de anunciar no ano passado, durante a minha visita à comunidade portuguesa no Luxemburgo.

Este prémio pretende reconhecer cidadãos portugueses que, pela sua capacidade de empreender e de inovar, se tenham distinguido, quer pela sua acção nos seus países de acolhimento, quer pela sua relação com Portugal.

Sei que este é apenas um pequeno contributo. Sei como as gerações de Portugueses espalhados por todo o mundo têm sido a expressão do espírito empreendedor português, da capacidade de assumir riscos, do esforço e da ambição de ir mais além. Mas sei, igualmente, que todos somos necessários para mobilizar esse enorme capital social que a diáspora portuguesa representa.

A facilidade de comunicação e a rapidez de transferência de conhecimento, que caracteriza a globalização, configura um novo desafio para Portugal, mas simultaneamente uma nova realidade para a nossa diáspora.

Se no passado muitos partiram sem saber se algum dia teriam a possibilidade de regressar, hoje as distâncias encurtam-se e todos os Portugueses podem estar bem mais próximos uns dos outros e do seu País.

Por isso, neste Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas, apelo à mobilização desse imenso capital social e humano, que são os cinco milhões de Portugueses e de luso-descendentes que vivem e trabalham no estrangeiro.

Os recursos e os conhecimentos dos Portugueses no exterior podem contribuir para uma maior afirmação de Portugal no plano internacional, apoiando, por exemplo, a entrada de produtos e de empresas nacionais em novos mercados.

Por outro lado, Portugal deve saber atrair e acarinhar os Portugueses que, estando no exterior, pretendem regressar e, desta forma, contribuir com investimentos, formação e experiência para o desenvolvimento económico e social do País.

Essa mobilização poderá ser feita com o empenhamento da sociedade civil, devendo ser complementada e consolidada através do desenvolvimento de mecanismos formais - como por exemplo, as câmaras de comércio, as novas redes comerciais, sem esquecer as instituições tradicionais de origem portuguesa. Mas, sendo este um desígnio nacional, caberá ainda ao Estado português fomentar as relações entre Portugal e as suas comunidades.

Neste Dia de Portugal, não poderia deixar de evocar esse extraordinário génio literário, cujo dia também hoje se celebra, Luis Vaz de Camões. A sua maior obra, “Os Lusíadas”, expressão máxima da nossa língua, nunca teria sido escrita se também ele, um dia, não tivesse partido à descoberta de “novos mundos”.

Comemorar o Dia de Camões é celebrar a Língua Portuguesa. Também no domínio da valorização da nossa língua e da nossa cultura, o papel fundamental das comunidades portuguesas não pode ser esquecido.

A todos os Portugueses que residem e trabalham no estrangeiro deixo, mais uma vez, uma palavra de apreço e de reconhecimento.

Sei que podemos contar convosco. Podem e devem contar com Portugal.

 

 

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Governo anuncia ainda este mês medidas para expansão da língua portuguesa (SOL)

 

Cavaco Silva desafia portugueses (Correio da Manhã)

 

Cavaco evita temas políticos (Expresso)

 

 

 

 

publicado por RiViPi às 12:14
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Obrigado pelo comentáro.
Muito bom este texto! E engraçado também!
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Compreendo o seu ponto de vista, TijoloAzul. A Lín...
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