Tudo o que vem à rede é peixe

01
Mar 05
Era uma criança quando conheci o Hardware e o Software. Confesso que foi uma experiência excitante. Um novo mundo abria-se. Um mundo distante. Um mundo numa língua que não era a minha. Tive dificuldades na fonia, na grafia, na etimologia. A minha raiz era outra. Uma outra maneira de sentir o mundo. Eles transformaram o meu mundo na mesma forma que ainda mantêm. Talvez por isso, nunca fomos muito íntimos.
A sociedade actual é uma sociedade tecnológica. Nela vivemos sob o signo da velocidade, da oscilação, da competição, da incerteza da mudança. Todos os dias novas palavras (descendentes das pioneiras Hardware e Software) contextualizam esta sociedade. É essencial aprender a ler e a descodificar o novo mundo da informação. Quem não conseguir cairá no isolamento e na alienação. É hora de erguermos o escudo e não a Firewall. De calibrarmos o filtro de importação. Deixar de fazer copy and paste. Começar a copiar e transformar. Ser o banding neste mundo bidireccional, onde nos limitamos a ser a impressora que envia a informação ao computador a informar do progresso da tarefa da impressão. A sociedade de informação só será verdadeiramente educativa se for realmente comunicativa.

Ricardo Afonso Vilela
publicado por RiViPi às 07:58

Define-se neologismo como toda palavra ou expressão de criação recente. Também se considera neologismo uma nova acepção atribuída a uma palavra já existente no léxico. Há neologismos de cunho popular ou literário, restritos a um determinado idioma, e outros, como os termos científicos, que são internacionais, e devem ser adaptados morfologicamente a cada idioma. Os neologismos podem ser léxicos e sintácticos. Os primeiros, quando correctamente adaptados à língua, enriquecem o vocabulário sem ferir o génio da língua; os sintácticos, também chamados de construção, abastardam a língua por atentarem contra a estrutura desta e devem ser evitados.
Nas ciências em geral, em decorrência do progresso científico e tecnológico, há necessidade constante da criação de neologismos que expressem com exactidão novas descobertas, novos factos e novos conceitos. Há três maneiras de atender a essa necessidade: formar uma palavra nova, importar um termo de língua estrangeira, ou conferir um novo significado a uma palavra já existente.
No passado, os neologismos importados, em sua maioria, tinham origem na língua francesa. Actualmente, em virtude da hegemonia da língua inglesa como canal de comunicação no meio científico, os mesmos surgem quase sempre em inglês, devendo ser morfologicamente adaptados aos demais idiomas.
A língua inglesa teve início a partir de um estrato teutónico que se sobrepôs aos idiomas nativos da ilha britânica. Com a invasão da Inglaterra pelos normandos no século XI, foi a mesma enriquecida pelo manancial latino carregado pelo francês medieval dos invasores, acrescido posteriormente de termos eruditos introduzidos por escritores e cientistas. Como resultado desse hibridismo, embora tenha mantido uma estrutura sintáctica própria, a língua inglesa tem hoje maior número de palavras de procedência latina do que propriamente anglo-saxónica.
A nomenclatura científica e técnica é quase toda baseada nas línguas grega e latina e, assim, os neologismos criados em inglês utilizam, em sua maioria, radicais gregos e latinos, o que facilita a sua adaptação às línguas neolatinas como o português. Ao ser feita a adaptação correcta do inglês para o português, devemos nos lembrar de que o inglês usa ortografia etimológica, enquanto o português usa ortografia fonética simplificada e que determinados sufixos em inglês têm os seus correspondentes em português. Há neologismos que são, na realidade, palavras latinas adaptadas ao inglês. Neste caso, os mesmos não devem ser considerados anglicismos e é lícito recriá-los em português a partir do latim. Maior dificuldade surge quando se trata de palavras autóctones e expressões idiomáticas da língua inglesa que devem ser traduzidas para o português. É o caso, por exemplo, de scanner, shunt, stress, stent, straddling, hand grip, swing heart, wedge pressure, etc. Nesta eventualidade, cada caso deve ser analisado de per si e nem sempre há consenso sobre a melhor solução. Uma alternativa válida é a de usar-se, por empréstimo, o termo ou a expressão em sua forma original, com destaque por meio de aspas ou itálico.
Existem neologismos que são acrónimos formados com as letras iniciais da expressão designativa como ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line).
A aceitação de um neologismo importado só se justifica quando absolutamente necessário por não haver palavra vernácula equivalente e, neste caso, é imprescindível sua correcta adaptação morfológica; do contrário, é preferível usar-se a palavra no idioma de origem, por empréstimo. A língua é dinâmica e se renova constantemente. Muitas palavras tornam-se arcaicas e deixam de ser usadas; outras mudam de significado ou adquirem novas acepções.
A criação de neologismos é um dos instrumentos de renovação da língua. Todavia, apesar da renovação constante em seu léxico, a língua tem sua estrutura própria, sua gramática, sua maneira de expressar-se, seu paradigma culto, que devem ser observados.
publicado por RiViPi às 07:20


titanic Posted by Hello
publicado por RiViPi às 05:31

Ao ler as descrições apavorantes dos naufrágios, eu admiro cheio de emoção, tremente e com um calafrio a percorrer-me todo o corpo, os rasgos de coragem e de generosidade. Quando da recente catástrofe do Titanic, chorei vendo nos jornais o retrato da esposa dum milionário americano – uma linda rapariga na força da vida, de lábios que seriam rubros, de braços que enlaçariam divinamente, de colo esplêndido a aparecer pelo decote audacioso, e que nas horas terríveis do agonizar da embarcação salvou mulheres e crianças – deixando-se ficar a bordo para morrer, ela a salvadora de tantas vidas. Eu chorei pensando: Esta mulher formosíssima foi uma criança buliçosa e travessa a quem a vida sorriu sempre. Teve tudo. Brilhou nos salões rutilantes;
Quando ela passava, os homens detinham-se contemplando-a. Foi cortejada, foi amada. Teve como todas o seu primeiro amor, o romance dos seus vinte anos, as suas desilusões, as suas alegrias, as suas tristezas. No seu palácio de Nova-York, rainha encantada, ela viveu envolta em rendas; teve colares de pérolas, diademas de safiras. Girava airosamente pelos corredores e salões – dona de casa vigilante. Amou os dias de sol, as noites de luar, as tardes de Outono – viveu. Os seus dentes agudos de marfim trincaram frutos vermelhos, frutos dourados; as suas mãos de fada, pálidas e longas, colheram rosas, violetas, camélias, anémonas fantásticas, orquídeas… Na sua vida houve talvez um grande amor. E eu vi, na realidade vi, uns lábios de homem amado pousar sobre os seus num recanto solitário duma sala de baile imensa, resplandecente; eu vi todo o seu corpo nu, admiravelmente nu, oferecendo-se louco aos beijos do amante. E eu chorei: Essa criatura divina, essa mulher que vivera, que amara, que rira e que chorara, hoje, ali em pleno oceano, esquecida de tudo, corria pelo convés trágico e salvava, arrebatava à morte entre os seus braços – mãe extremosíssima – os filhos das outras mães! Os minutos iam passando, a embarcação mergulhava cada vez mais na profundeza… Aquele corpo grácil, num misticismo, numa exaltação, corria pelo convés esquecido de si próprio na sua tarefa sublime… Os barcos estavam cheios; ela ajudara-os a encher, e nem pensou em exigir um lugar dentro deles! Fatigada, sentou-se, cruzou os braços, e gentilmente esperou a morte, desapareceu no oceano, como gentilmente vivera… Pobre corpo de amor, pobre alma generosa! Fora aquele navio o último salão em que dançara, o último leito em que amara. Eu chorei, eu tive uma pena infinita desse lindo rosto de mulher; eu amei-a, ah! sim, amei-a um segundo com todas as forças da minha alma! Eu chorei…
Mas tudo isto, tudo isto é literatura… tudo isto é excepcional…
Voltemo-nos: Nessa mesma catástrofe nós vamos encontrar a vida verdadeira, que é horrível – e são os dois italianos que foram mortos a tiro porque primeiro que todos os outros homens, que todas as mulheres, que todas as crianças – queriam embarcar, queriam viver. Viver! Mas há lá desejo mais nobre, mais sagrado!? Os homens, incorrigíveis poetas é que transformando, transtornando, invertendo tudo, fizeram do desprezo pela vida uma das mais nobres virtudes – da mesma forma que converteram o amor numa secreta vergonha que se oculta às crianças com o maior dos escrúpulos. Eis a superioridade dos homens: a inversão dos sentimentos naturais, que é realmente uma superioridade porque traduz uma revolução: os animais, seres inferiores, não se revoltam, aceitam a natureza. Revolução estulta, porém. Quem possui o melhor não se deve revoltar para ter o pior. E a natureza ainda é uma das raras coisas que não vale a pena aperfeiçoar, porque aperfeiçoá-la quanto aos sentimentos é sempre prejudicial.
- Quer dizer – gritam-me – Com todo o seu palavreado chocho deseja você significar que admira esses italianos cobardíssimos, que considera criminosos que os abateu à bala.
Perdão. Eu sou um homem. Não os admiro; à primeira vista mesmo, enoja-me, revolta-me o seu exemplo. Mas penso, desculpo-os e sinto – bem alto o declaro – uma infinita piedade por eles. Simplesmente a minha dor é serena; não estremeço nem choro como diante do rosto lindo dessa mulher sublime.
Literatura, meus amigos, literatura…



Mário de Sá Carneiro, Primeiros Contos (Incesto)
publicado por RiViPi às 04:40

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Interessante, obrigado por partilhar, Luisa
Adorei,Alexandra
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