Tudo o que vem à rede é peixe

19
Mai 10

Lula da Silva chega hoje a Portugal para uma curta visita de apenas algumas horas e com o objectivo de participar na X Cimeira Luso-Brasileira. A permanência do Presidente do Brasil vai permitir ainda encontros com Cavaco Silva e José Sócrates e para a assinatura de vários acordos de cooperação entre os dois países. Lula da Silva marcará presença ainda na entrega do prémio Camões.

 

Clique aqui para ler a notícia na totalidade

publicado por RiViPi às 12:07
sinto-me: RTP
música: B1

14
Out 09
A ignorância tem um fundo de arrogância difícil de suportar. A actriz não se enxerga. Vai ver novela, vai!
publicado por RiViPi às 13:06

25
Mai 09

Francisco Alves Mendes, mais conhecido como Chico Mendes, nasceu no mês de dezembro de 1944  numa povoaçāo da floresta amazónica chamada Seringal. O seu pai ganhava a vida  como seringueiro, isto é, extraindo latex das árvores da borracha.

Aos nove anos Chico começou a trabalhar na floresta com seu pai porque os donos da terra nāo permitiam ter escolas. Chico não pôde  aprender a ler até aos vinte anos de idade.

 

Trabalhou para a melhoria das condiçōes de vida dos trabalhadores da Amazónia e criou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Também lutou, com a resistência pacífica, contra os poderosos donos de terra: madereiros, seringais e fazendas de gado.

 

Nessa época recebeu as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros. Foi acusado de subversāo, detido e torturado secretamente, mas foi absolvido por falta de provas. É preciso ter em conta que no Brasil governava uma ditadura militar.

Convertido em simbolo da luta para defender os povos da floresta, Chico Mendes recebeu a visita dos membros da UNEP ( Organizaçao das Naçōes Unidas para defesa do meio ambiente. Foi convidado a fazer denúncias no Congresso norteamericano em Washington. O resultado dessa viagem foi imediato: os financiamentos dos desmatamentos na floresta foram suspensos.

 

Recebeou reconhecímento e vários prémios em todo o mundo pela sua defesa da ecologia.

Pouco mais de um ano após a sua viagem aos Estados Unidos, acabava de completar 44 anos, quando foi assasinado na porta da sua casa.

Em 1990, o fazendeiro Darly Alves e seu filho Derli, foram julgados e condenados a 19 anos de prisāo, pela morte de Chico Mendes.

 

 

Como disse Chico “ No começo pensavam que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensavam que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade”

( copiado literalmente)

 

David Paniego Ballesteros (Aprendente de Português Língua Estrangeira):  dapaba@gmail.com

 

publicado por RiViPi às 20:35

13
Mai 09

 

-E aí Pensador?

-Fala. Tudo bem?

-Que ônibus está esperando aí?

-um sete cinco (175)

-E, qual é, que tá saíndo ali um agora!

- Tá bom então (tá tá)

- Valeu!

Mais um dia, mais um ônibus que eu peguei no rio. Um ônibus tranquilo. Estava vazio. A cidade engarrafada como não podia deixar de ser. Viagem demorada. O que fazer? Sem nenhuma mulher por perto pra bater um papo esperto, resolvi escrever um rap a mais mas não estou bem certo sobre o que eu vou rimar

- Diz aí torcador

- Ah sei lá

Então eu vou no instinto. Pego um papel e [vâmo vê] o que é que dá. Foi nesse instante em que eu olhei pela janela e que susto eu levei! Era ela, a inflação, estampada na vitrine, atingiu meu coração e deu vontade de partir pro crime. Porque o que eu quero comprar já não dá mais A não ser que eu faça como fez o Ferrabrás
 
- Quem?

Então eu tento esquecer. Continuar a rimar. Mas o que eu vejo do outro lado é duro de acreditar. Mas é real e a realidade dói demais.São dois mendigos se matando pelos restos mortais de um cachorro qualquer que foi atropelado. E vai virar rango e se der, talvez seja assado.

- Hmm, esses nojentos gostam disso?

- Não, arrombado! Aquilo é um ser humano que chamaram de descamisado. Um desesperado. Um brasileiro como eu. Que deve sempre perguntar: Será que existe mesmo Deus? Não é o pensador que vai tentar responder. Eu continuo rimando, tentando esquecer porque esse rap não é sobre nada especial. É o rap do 175 que eu peguei na central.

E de repente o ônibus começou a encher. Entrou mais gente. Houve um tumulto. Alguém gritou e eu olhei pra ver.

-Que é que é isso? Que tá pegando? Que que tá havendo?

-É um assalto malandro! Será que você ainda não tá percebendo?

O desespero do trabalhador começou e eu também tentava esconder meu dinheiro quando alguém falou:

-Libera esse aí que é o Pensador, mané!

Mas eles eram meus fãs, então levaram meu boné.

-Autografado, né Pensador, se liga!

Alguns acharam que eu era cúmplice. Quase deu briga. Mas a viagem prosseguiu e os ladrões desceram. E aí a raiva que subiu na cabeça dos passageiros. E o mais injuriado era um bigodudo que tinha ganhado o salário e eles levaram tudo! Entraram dois PM pela porta da frente, estufando o peito e olhando pra gente, impondo respeito. Mas os ladrões já tavam longe. Não tinha mais jeito. Pra piorar levaram o bigodudo como suspeito.

- Ele era preto!

Coisas desse tipo é difícil esquecer mas eu vou continuar porque eu já disse a você que esse rap não é sobre nada especial É o rap do 175 que eu peguei na central.

Agora estamos passando pela praia de Copacabana. Travestis e prostitutas se acabando por grana. E os gringos vão achando aquilo tudo bacana:

-O Brasil é um paraíso! As mulheres são boas de cama.

-Ó gringo não força. Deixa de ser imbecil. Você que vem lá de fora quer entender do Brasil? Ha ..."O Brasil é um paraíso!É mole? E o inferno é onde?!

-Espera aí Pensador!

E por falar em paraíso, Olha que loucura, subiu no coletivo uma estranhíssima figura. Com uma bíblia na mão e uma cara de débil mental, pregando a enganação da Igreja Universal. Ou será que era alguma outra igreja dessas? Ah, não faz mal. Igreja de enganar otário é tudo igual. E o coitado foi soltando aquele papo de crente e eu rezando: Deus me dê paciência! Mas o pentelho desceu pra alegria da gente e na saída do ônibus sofreu um acidente. Se distraiu e foi atropelado pelo caminhão Morreu esmagado com a bíblia na mão.

-É, morreu. Melhor do que viver nessa ilusão. Não queria Deus? Foi pro céu, então.

-Não sei não!

Enquanto todos se benziam com pena do crente, eu fui rimando. Bola pra frente! Porque esse rap não é sobre nada especial. É o rap do 175 que eu peguei na central.

E eu percebi que o trocador ficou fazendo careta Pro coroa que passou por debaixo da roleta. Era um senhor de óculos, barba branca ...

-Ei, Espera aí! Ei, professor O que é que o senhor tá fazendo aqui? Que é que houve? Foi assaltado? Perdeu o dinheiro?

-Não ... É ... sabe o que é que é ... Eu já gastei o salário inteiro!


Hm Hm, mudei de assunto, ele já tava encabulado. No meio do mês o salário dele já tinha acabado. Era o meu ex-professor da escola.

-Coitado!
 
-Tá fodido e mal pago. Daqui a pouco tá pedindo esmola. Ele é um mestre. Um baú de sabedoria. Esse não é o valor que um professor merecia. Profissional de primeira importância pro nosso futuro. Ninguém mais quer ser professor pra num viver duro. E ele desceu em outra escola pra dar mais aula.

-É que eu trabalho nos três turnos. Chego em casa e ainda corrijo prova!

-Tchau professor

-Tchau Pensador.


Desceu mais um trabalhador que tá numa de horror. Mas esse rap não é sobre nada especial. É o rap do 175 que eu peguei na central.

E nós agora estamos passando pelo bairro de São Conrado. E como o tempo tá fechando eu tô ficando preocupado.

-Ih! Choveu! Pronto, tudo alagado. Uns vão nadando. Outros morrendo afogados. E enquanto na favela tem barraco caindo Não é que passa o Prefeito,nomeado, sorrindo. E se o nosso ex-presidente estivesse aqui. Ele estaria certamente num belíssimo jet-ski. Mas como nós não temos embarcação pra todo mundo. Essa triste situação tá parecendo o fim do mundo. Pra quem tá de carro. Pra quem tá de ônibus. Nessa Rio-Babilônia no Brasil do abandono. E enquanto os governantes vão boiando sorridentes Vamos remando. Bola pra frente porque esse rap não é sobre nada especial. É o rap do 175 que eu peguei na central.

E o pior de tudo é que nessa grande viagem, nada disso do que aconteceu foi novidade. E as autoridades estão defecando pro que acontece ao cidadão brasileiro no seu cotidiano. Porque pra eles isso não é nada especial. No dos outros é refresco. Não faz mal. E fecham os olhos pro que até cego já viu: O revoltante retrato da vida urbana no Brasil! E eu não me refiro ao 175 ou qualquer linha da central. Eu tô falando do dia a dia a qualquer hora em qualquer local.

Porque esse rap não é sobre nada especial..

Vídeoclip

publicado por RiViPi às 23:28

18
Jan 09

Criada por Karim Aïnouz e Sérgio Machado a produção tem 13 episódios iniciais que serão exibidos simultâneamente para toda a América Latina. E para todo o mundo através da internet.

A história gira em torno de Alice (Andréia Horta), uma jovem que vive em Palmas, Tocantins onde trabalha para a Secretaria de Turismo. Ela está de casamento marcado com Henrique o dono de uma loja de produtos de pesca. Ao receber a notícia da morte de seu pai, Alice parte para São Paulo onde reencontra após muitos anos, sua tia, uma das "últimas representantes" do movimento hippie brasileiro. É na casa da tia Luli que Alice fica por alguns dias nos quais passa a entrar em contato com a cidade e seus moradores, sofrendo o choque de cultura. Alice reencontra também sua meia-irmã, Regina Célia (Daniela Piepszyk), com quem tenta criar um laço de amizade, sua madrasta Irislene (Carla Ribas), com quem deverá criar um certo conflito em relação a sua herança; e novos amigos. Um deles, Nicholas, trabalha em uma produtora e consegue para ela alguns trabalhos.

Por curiosidade, três atores da série, Carla Ribas (Irislene), Vinícius Zinn (Nicholas), e o ator que interpreta seu irmão formaram a família do filme "A Casa de Alice", de Chico Teixeira.

A HBO preparou uma campanha de marketing para o lançamento da série que incluíram um Site Oficial. Outra forma de atrair a atenção do público jovem foi a distribuição de pen drives exclusivos em Universidades e baladas. Nos drives, fotos, wallpapers e videos das séries que posteriormente foram disponibilizados em um outro site. A personagem também tem um MSN, que apresenta novidades da produção e informações das histórias.

Criada com a intenção de se tornar mais uma produção de sucesso da HBO latina, "Alice" desaponta. Trata-se da terceira produção brasileira do canal, que já lançou "Mandrake" e "Filhos do Carnaval", todas com um grande apuro técnico e de visual, mas que pecam no desenvolvimento de seus roteiros e personagens. Das três, "Filhos do Carnaval" torna-se a melhor em questão de roteiros.

A julgar pelos dois primeiros episódios exibidos em coletiva à imprensa, "Alice" se acomoda no uso constante de situações clichés, diálogos fracos (às vezes redundantes) e um desenvolvimento de personagem que revela insegurança e receio por parte de quem escreve. Talvez as pressões e as responsabilidades com a produção e a obrigação de torná-la um sucesso, tenham inibido os roteiristas em tentar criar algo mais original; talvez a busca por uma "identidade brasileira" tenha confundido o que é ou não é brasileiro (se é que isso é necessário). O fato é que a história não se desenvolve, ao menos, nos dois primeiros episódios.

A pressa em narrar a situação e estabelecer os personagens é o grande detrimento do episódio piloto. Sem se darem conta de que se trata de uma série e que há tempo suficiente para estabelecer a história, os roteiristas apelaram para as explicações quase didáticas de quem é quem e o que cada um quer da vida. Com isso resultou em situações que chegaram a ser redundantes com diálogos desnecessários. O segundo episódio não melhora a situação da série, ao trazer uma situação mais do que batida: uma menina briga com a mãe, foge de casa, se perde na cidade grande e é resgatada por pessoas consideradas marginais.

Temos ainda o mote, ou o principal objetivo, da série: o choque de culturas, o qual, infelizmente, não se estabelece nestes dois primeiros episódios. Isto porque Alice não tem a cultura e o estilo de vida de uma jovem que vive na distante Tocantins, mas a de uma jovem de cidade grande como Rio de Janeiro ou São Paulo. Com isso, o choque de cultura não existe.


Outro problema é que Alice não passa por nenhuma dificuldade real ao tentar estabelecer-se em São Paulo. Ela tem casa, comida, amigos e trabalhos instantâneos. Ao podar as situações que poderiam de fato gerar um conflito cultural, economômico e pessoal, os roteiristas desperdiçaram uma grande oportunidade de explorar o verdadeiro choque de culturas que a série proporcionaria.

Os personagens secundários também não colaboram, embora tenham potencial para criar situações e desenvolver histórias que poderiam ser interessantes, alguns até mais que a situação da protagonista. Não fica claro se algumas situações introduzidas no piloto serão desenvolvidas ao longo da série, como por exemplo a herança de Alice que fica toda com a madrasta, a qual não admite dividir o patrimônio. Aqui teríamos (ou teremos, vai depender do rumo da série) uma situação que poderia ser de fato explorada: a briga judicial para receber parte da herança que lhe é devida. Não há necessidade de se explicar o que é o sistema judicial brasileiro. Expô-lo em uma série é algo que a TV, especialmente este gênero, poderia fazer com grande maestria, apresentando as irregularidades e as realidades pelas quais muitos brasileiros precisam passar para ter seus direitos legais assegurados.

Outra situação que já se apresentou e que deverá ser desenvolvida é a da tia de Alice. Embora irreal (ela é uma ex-hippie que está bem de vida tendo apenas um brechó como ganha pão), é uma solteirona, infeliz, que vive fumando maconha e buscando novas experiências, mas consciente de que a idade chegou.

Por fim, temos os atores. Como já comentei neste blog temos um grande problema com nossos atores brasileiros que estão acostumados a uma estrutura de novela. Não tendo um preparador de atores, suas atuações ficam comprometidas. No caso de "Alice", existe um preparador de atores, Fátima Toledo, que já trabalhou com filmes como "Cidade de Deus", "Cidade dos Homens, e muitos outros. Com seu trabalho, a atuação dos atores fica assegurada.

No entanto, nestes dois primeiros episódios vê-se claramente que nem todos conseguiram "vestir" os personagens que interpretam. Já trabalhei no Studio da Fátima Toledo, conheço seu método de trabalho e sua proposta de atuação e não vi isso na série. O que vi foram atores confusos e inseguros, com exceções, como a protagonista que no fim, acaba se destacando justamente por isso...além da beleza, mas isso era proposital.

 

Fernanda Furquim (adaptado)

publicado por RiViPi às 20:10

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