Tudo o que vem à rede é peixe

01
Jul 09

Se é finalista e ainda não tem um perfil numa, ou mesmo em várias redes sociais ou profissionais, então anda a esbanjar as hipóteses de encontrar um emprego. Mas tenha cuidado com o que escreve.

Chicago, Estados Unidos, Junho de 2006. O presidente de uma pequena empresa de consultoria que pretendia contratar um promissor recém-formado pela Universidade do Illinois, pensava que tinha descoberto o melhor candidato até que decidiu visitar o seu perfil na popular rede social, Facebook . Entre os seus passatempos favoritos constava: "fumar drogas", "disparar sobre pessoas" e "sexo obsessivo". Por mais promissor que fosse o jovem, a sua candidatura morria ali.

Numa época em que muitos empregadores começam a confrontar os currículos que recebem pelos canais tradicionais (candidaturas espontâneas e respostas a anúncios, por exemplo) com as identidades digitais dos candidatos, os devaneios da juventude podem sair caros.

Para já, os recém-licenciados portugueses que respondam a anúncios da Egor não correm este risco. Amândio da Fonseca, administrador desta empresa de recrutamento e selecção de recursos humanos, garantiu ao Expresso que "não têm por hábito fazer este tipo de verificação por uma razão de ordem ética, visto que as pessoas fazem confidências que podem prejudicá-las".

No caso da Egor, são consultadas redes tais como o LinkedIn, Xing e The Star Tracker, que Amândio da Fonseca apelida de "mais sérias", mas apenas em processos de pesquisa directa, ou seja, quando se trata de encontrar quadros médios, superiores e técnicos qualificados.

Mas se o anúncio tiver a assinatura da Ray Human Capital, ainda que se trate de um processo de recrutamento de jovens recém-licenciados, já é bem provável que as suas "pegadas digitais" sejam vistas à lupa pelos técnicos desta empresa.

"Nos dois últimos processos de recrutamento de recém-licenciados que realizámos para clientes da área financeira e da área da saúde, utilizámos redes sociais", conta Marco Gomes, director de Tecnologias de Informação da Ray Human Capital, acrescentando: "No fundo, temos de saber onde é que as pessoas que queremos recrutar andam e como chegar até eles".

"As fontes tradicionais, tais como os anúncios, já não dão resposta ao que procuramos e em redes como o LinkedIn conseguimos obter alguma informação pertinente", remata.

Em declarações à Lusa, o director regional (para Portugal) da empresa de recrutamento e pesquisa directa, Hays, reconheceu recentemente que "ferramentas como o MySpace, Facebook ou Hi5 podem ajudar a antever a motivação e ambição de um determinado candidato" e a "perceber como é que ele vai encaixar na cultura da empresa, o que é fundamental".

No entanto, assegurou que a Hays "não utiliza essas plataformas para despiste de informações facultadas pelos candidatos", porque "a facilidade com que se pode alterar uma página pessoal torna a fiabilidade do que está na Net muito questionável".

Ainda assim, Duarte Ramos reconhece que as redes sociais poderão funcionar como "ferramenta de captação" das empresas.

É precisamente o que acontece na Fullsix Portugal, uma agência de marketing relacional. Para ultrapassar as dificuldades sentidas na captação de novos talentos, conta ao Expresso Pedro Batalha, um dos seus responsáveis, a empresa segue com atenção vários blogues temáticos e redes como o LinkedIn, The Star Tracker e Facebook, onde também já inaugurou uma página de fãs através da qual pretende continuar a comunicar com antigos colaboradores. Até ao final do ano, a Fullsix Portugal pretende contratar mais sete jovens talentosos.

Serão bem mais os jovens recém-licenciados, sobretudo de áreas tecnológicas, que em 2009 estagiarão na Portugal Telecom através do seu programa de trainees. Este ano receberam cerca de 4.000 candidaturas para 150 vagas. Só são aceites candidatos com média acima de 14 valores e dispostos a submeterem-se a um exigente processo de selecção, contou ao Expresso Ana Dias.

"Analisámos currículos, entrevistas, testes psicotécnicos, mas neste processo não recorremos a redes sociais", afirma a responsável pela área de desenvolvimento e liderança da PT.

"Só recorremos a esse tipo de ferramentas em processos de prospecção de seniores", remata Ana Dias.

Mas o que pensam as universidades sobre tudo isto? Um estudo realizado por alunos do mestrado em Comunicação Multimédia da Universidade de Aveiro concluiu que os estudantes têm tendência para colocar o seu perfil on-line, sobretudo no LinkedIn, mas da parte das empresas há poucos contactos.

Por isso mesmo, Manuel Assunção, vice-reitor da Universidade de Aveiro, afirma que "as redes sociais estão longe de substituir as redes tradicionais e que o intermediário entre o estudante e o empregador, neste caso a Universidade de Aveiro, é muito importante na criação de lógicas de confiança".

Na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, tal como em Aveiro, os estudantes não são estimulados a usarem este tipo de ferramentas, até porque já o fazem, ainda que não seja para procurar emprego.

Fracassada uma tentativa para lançar o currículo em vídeo por falta de adesão dos estudantes, o Gabinete de Saídas Profissionais encaminha-os para a sua bolsa de emprego on-line, um site onde os alunos podem inserir um currículo padronizado e as empresas anúncios e propostas de estágio. Segundo Márcia Gonçalves, responsável por este gabinete, há 3.744 alunos registados nesta bolsa de emprego.

Se no futuro, as redes sociais e profissionais tornarão obsoletos os actuais modelos de recrutamentos de recém-licenciados ninguém sabe. Mas uma coisa é certa: "Quem não está on-line está fora do caminho. Quem está tem mais oportunidades para poder singrar", conclui Marco Gomes da Ray Human Capital.


 

Fique a conhecer os pontos fortes das redes citadas pelas empresas contactadas pelo Expresso


grads.linkedin.com

41 MILHÕES DE UTILIZADORES

Empresas recrutam talentos na Net
 
 

Sinal evidente de que a crise mundial colocou no desemprego milhões de pessoas em todo o mundo, a rede profissional LinkedIn é um dos sites do momento. A cada segundo de passa, garantem os seus administradores, regista-se um novo membro. Em 15 de Junho já eram 41 milhões dispersos por 170 áreas de actividade, em mais de 200 países.
Ao contrário do que acontece em redes sociais como o Facebook, Hi5 e Orkut, os perfis aqui criados reproduzem um currículo profissional. A ideia não é partilhar fotos, vídeos ou músicas com amigos e familiares, mas antes estabelecer relacionamentos profissionais que permitam obter um novo emprego ou contactar com possíveis parceiros de negócio. O registo é gratuito, no entanto, para poder aceder ao perfil de uma pessoa fora da sua rede de contactos, terá de fazer uma assinatura.


 

facebook.com

200 MILHÕES DE UTILIZADORES

Empresas recrutam talentos na Net
 
 

Lançado em Fevereiro de 2004 por Mark Zuckerberg, um aluno da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, o Facebook é frequentado por mais de 200 milhões de utilizadores activos. Tratando-se de um site de relacionamento social, oferece a um potencial empregador uma imagem menos formal do candidato. Para tal, muito contribui a possibilidade que o utilizador do Facebook tem de adicionar ao ser perfil dezenas de aplicações através das quais pode partilhar os livros, discos e filmes preferidos e até as cidades que já visitou. Os grupos de que faz parte e os seus sites e blogues favoritos. Informações que, regra geral, jamais serão incluídas num currículo. Acresce que também é possível aceder ao seu perfil através de um endereço personalizado.


 

xing.com

7 MILHÕES DE UTILIZADORES

Empresas recrutam talentos na Net
 
 

Usada regularmente por mais de sete milhões de pessoas em 200 países, é o principal concorrente na Europa do LinkedIn. Tal como acontece no site americano, os utilizadores podem, gratuitamente, inserir o seu perfil, participar em grupos, entre outras funcionalidades típicas das redes profissionais. No entanto, para pesquisar candidatos com qualificações específicas ou para enviar mensagens a utilizadores que não façam parte da sua rede de contactos, terão de subscrever um plano premium. Os membros desta comunidade podem ainda divulgar junto da sua rede de contactos eventos que estejam a organizar, tais como seminários e conferências, feiras e congressos, convidando-os a participar. Segundo os administradores do site, a privacidade dos utilizadores está garantida, na medida em que é possível decidir que dados podem ser vistos e por quem.


 

thestartracker.com

28.700 UTILIZADORES

Empresas recrutam talentos na Net
 
 

Só por convite é possível ingressar na "rede portuguesa de talentos". Criada em Novembro de 2007 por Tiago Forjaz, sócio da Jason Associates, uma empresa de consultoria estratégica, The Star Tracker conta actualmente com mais de 28.700 membros registados em 131 países e 240 cidades, entre os quais o Presidente da República, Cavaco Silva, que apadrinhou o projecto. Direccionada para cidadãos portugueses que vivem ou pretendem viver e trabalhar no estrangeiro, no entanto, 59% dos seus membros são jovens com estudos superiores que moram em Portugal, apesar de já terem tido alguma experiência de trabalho lá fora. Os seus utilizadores, cuja média de idades ronda os 33 anos, podem gerir um perfil, criar fóruns e grupos ou lançar causas.


Artigo publicado na edição do Expresso - Guia do Estudante de 27 de Junho de 2009

publicado por RiViPi às 23:53

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Não tem que agradecer, Ricardo. Quer partilhar a r...
Obrigado pelo post que colocou no seu blog. Felici...
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