Tudo o que vem à rede é peixe

28
Nov 09
(Como se tivesse sido escrito por um homem de hoje em dia)

Do que sabia mulha ren non sei,

polo mundo, que vej´assi andar;

e, quand´i cuido, ei log´a cuidar,

per boa fé, o que nunca cuidei:

ca vej´agora o que nunca vi

e ouço cousas que nunca oi

           

Pero Gómez Barroso
Poeta medieval português

 

 

De todo cuanto supe, nada sé,

de acuerdo a como veo que va el mundo;

lo que yo pienso tengo que volverlo a pensar

igual que si nunca yo lo hubiese pensado:

pues ahora veo lo que nunca vi

y oigo cosas que nunca oí.

 

Tradução de Cesar Antonio Molina

Obrigado DaPaBa!

 


25
Nov 09
publicado por RiViPi às 15:32

18
Nov 09
publicado por RiViPi às 15:13
tags:

12
Nov 09

Essa é boa!

publicado por RiViPi às 22:18

10
Nov 09

por LUÍS MANETA, Évora

O Ministério da Agricultura diz que é impossível saber quais as maiores herdades do País. Mas ninguém tem dúvidas de que a maior é a Companhia das Lezírias, sociedade anónima de capitais públicos.

"Então e quando é que vamos ter chuva?" A pergunta dirigida por Vítor Barros, presidente da Companhia das Lezírias, a um dos colaboradores da maior propriedade agrícola do País traduz as preocupações do gestor com a crescente falta de pastos para alimentar um rebanho com mais de 4500 cabeças de gado.
"As pastagens estão secas. Bastava uma chuvinha e o problema resolvia-se", diz Vítor Barros ao DN, durante uma visita pelo interior da propriedade. São cerca de 20 mil hectares. Por caminhos de terra batida, entre florestas de montado, arrozais, pequenas barragens e vinhas, é possível andar um dia inteiro "sem encontrar ninguém". Trata-se de um gigantesco pulmão verde às portas de Lisboa, onde se pratica uma agricultura "compatível" com os equilíbrios ambientais e com a biodiversidade. Mais de dez mil hectares encontram-se integrados na Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo.

"Temos tudo biológico e em produção integrada", resume o gestor, explicando que a empresa tem vindo a apostar nas sementeiras directas e em prados biodiversos como forma de enriquecer os solos, fixar matéria orgânica e retirar carbono da atmosfera. "É uma área na qual trabalhamos com grande entusiasmo. Estamos situados numa zona de elevada densidade populacional, com muito trânsito, e é extremamente importante a existência de espaços que fazem o sequestro do carbono produzido por outras actividades."

Vítor Barros tem as contas bem feitas: entre os gases com efeito de estufa produzidos na exploração agrícola e os retirados da atmosfera, a Companhia das Lezírias tem um saldo positivo de cem mil toneladas por ano. "Oferecemos à Grande Lisboa um importante sumidouro de carbono."

Em Portugal, nenhum departamento do Estado possui qualquer listagem com a dimensão das propriedades agrícolas. Diz o Ministério da Agricultura que é impossível saber, ao certo, quais as maiores herdades do País. "Isso apenas é feito para os subsídios atribuídos. Não existe uma listagem relativa à dimensão das explorações", garante fonte do gabinete do ministro Jaime Silva. Ainda assim, ninguém tem dúvidas: a maior das maiores é a Companhia das Lezírias, gerida por uma sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos.

A dirigir a empresa desde finais de 2005, Vítor Barros confessa que só por uma vez se perdeu nos labirínticos caminhos que conduzem aos diversos sectores de produção, numa área de 200 quilómetros quadrados. "Ainda por cima foi quando aqui vieram dois colegas de curso e andámos por aí às voltas, de jipe, à procura de um ponto de referência."

Não é tarefa fácil. Só a área dos arrozais estende-se por 1100 hectares, com uma produção próxima dos sete milhões de quilos por ano. Uma parte significativa é embalada e comercializada juntamente com outros 33 produtores de arroz da região que, em Novembro, irão lançar para o mercado um produto com indicação geográfica de origem - o Arroz Carolino das Lezírias Ribatejanas. O restante é vendido para outras empresas, incluindo os maiores fabricantes de papas para bebés.

Foi no rescaldo da guerra civil entre liberais e absolutistas, com a subida ao trono de D. Maria II, que nasceu a Companhia das Lezírias do Tejo e do Sado, formada por um vasto conjunto de propriedades com cerca de 48 mil hectares, entre a Golegã e a Comporta, pertencente às Casas da Rainha, da Coroa e do Patriarcado. Com as finanças públicas completamente exauridas, todo este império foi vendido em hasta pública a um grupo de capitalistas, como forma de obter o que hoje em dia se define como "receitas extraordinárias".

Ao longo dos anos, as dificuldades económicas levaram ao desmantelamento da propriedade inicial. O primeiro grande núcleo a ser vendido, em 1925, foi o da Comporta, cujos cerca de 16 mil hectares foram adquiridos pelo grupo inglês Atlantic Company.

A seguir ao 25 de Abril, e já com uma comissão de trabalhadores a tomar conta da empresa, ocorre uma grande venda de terrenos aos rendeiros da Golegã. Pouco depois, a 13 de Novembro de 1975, a empresa é nacionalizada e, três anos depois, transformada em empresa pública.

"Uma constante na história da Companhia das Lezírias foram as muitas dificuldades financeiras", sublinha Vítor Barros, salientando que nos últimos anos o cenário inverteu-se, passando a ser um negócio "rentável" para o Estado. Em 2008, por exemplo, e apesar do aumento dos custos de produção, como rações e adubos, e da diminuição do preço dos produtos agrícolas, sobretudo da cortiça, carne e milho, os resultados positivos ascenderam a 400 mil euros. No ano anterior, haviam sido de 1,2 milhões de euros.

"As nossas grandes receitas são as provenientes da cortiça, da carne de bovino, do vinho e do arroz", refere o gestor, apostado em prosseguir uma gestão com base na "diversificação controlada" de actividades agrícolas e pecuárias. "Não podemos ir a tudo." Ainda assim, nos últimos três anos foi concretizado um investimento de 6,5 milhões de euros. "Demos a volta à floresta, plantámos olival e vinha, construímos uma nova adega e nivelámos o terreno das explorações de arroz." A ideia é aumentar a produtividade, preparando a empresa para enfrentar o desafio do fim dos subsídios agrícolas, previsto para 2013.

"Do ponto de vista do ordenamento do território, privatizar a Companhia das Lezírias poderia ser criminoso", sustenta Vítor Barros, recordando que, para além da produção de bens alimentares, da aposta na inovação e na responsabilidade social, a empresa tem à sua guarda 20 mil hectares de terrenos, grande parte dos quais situados em cima do maior aquífero de abastecimento de água à grande Lisboa.

"Estamos a fazer uma agricultura que não utiliza lixívia, nem manda azotos para os aquíferos nem destruímos os valores naturais da propriedade. Este é um tampão ao avanço da urbanização para a zona ribeirinha", sustenta, orgulhoso, aquele responsável.

 

Obrigado Leão

 

publicado por RiViPi às 11:40

04
Nov 09

Este texto é dos melhores registros da língua
portuguesa que tenho lido sobre a digníssima 'língua de Camões', a tal que tem fama de ser pérfida, infiel ou traiçoeira.


Um político que estava em plena campanha chegou a uma pequena cidade, subiu para o palanque e começou o discurso:

- Compatriotas, companheiros, amigos! Encontramo-nos aqui, convocados, reunidos ou juntos para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual me parece transcendente, importante ou de vida ou morte. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou junta é a minha postulação, aspiração ou candidatura a Presidente da Câmara deste Município.

De repente, uma pessoa do público pergunta:

- Ouça lá, porque é que o senhor utiliza sempre três palavras, para dizer a mesma coisa? O candidato respondeu:

- Pois veja, meu senhor: a primeira palavra é para pessoas com nível cultural muito alto, como intelectuais em geral; a segunda é para  pessoas com um nível cultural médio, como o senhor e a maioria dos que estão aqui; A terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural muito  baixo, pelo chão, digamos, como aquele bêbado, ali deitado na esquina. 

 

De imediato, o bêbado levanta-se a cambalear e 'atira':


-
Senhor postulante, aspirante ou candidato: (hic) o facto, circunstância ou razão pela qual me  encontro num estado etílico, alcoolizado ou mamado (hic), não implica, significa, ou quer dizer que o meu nível (hic) cultural seja ínfimo, baixo ou mesmo rasteiro (hic). E com toda a reverência, estima ou respeito que o senhor me
merece (hic) pode ir agrupando, reunindo ou juntando (hic) os seus haveres, coisas ou bagulhos (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir
direitinho (hic) à leviana  da sua progenitora, à mundana da sua mãe biológica ou à puta que o pariu!

 

Obrigado Marisa

 

 

publicado por RiViPi às 10:30
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Administração Regional de Saúde do Alentejo, I. P. - Aquisição de:1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas: 97.560,00€
Eu não sei a quanto está o metro cúbico de material de escritório mas ou estes armários/mesas/cadeiras são de ouro sólido ou então não estou a ver onde é que 6 peças de mobiliário de escritório custam quase 100 000€. Alguém me elucida sobre esta questão?

 
 Matosinhos Habit - MH - Reparação de porta de entrada do edifício: 142.320,00 €
Alguém sabe de que é feita esta porta que custa mais do que a minha casa?
Universidade do Algarve – Escola Superior de Tecnologia - Projecto Tempus – Viagem aérea Faro/Zagreb e regresso a Faro, para 1 pessoas no período de 3 a 6 de Dezembro de 2008: 33.745,00 €
Segundo o site da TAP a viagem mais cara que se encontra entre Faro-Zagreb-Faro em executiva é de cerca de 1700€. Dá uma pequena diferença de 32 000 €. Como é que é possível???
 
Município de Lagoa - 6 Kit de mala Piaggio Fly para as motorizadas do sector de àguas: 106.596,00 €
Pelo vistos fazer um "Pimp My Ride" nas motorizadas do Município de Lagoa fica carote!!
 
Município de Ílhavo - Fornecimento de 3 Computadores, 1 impressora de talões, 9 fones, 2 leitores opticos: 380.666,00 €
Estes computadores devem ser mesmo especiais para terem custado cerca de 100 000€ cada...Já para não falar nos restantes acessórios.
 
Município de Lagoa - Aquisição de fardamento para a fiscalização municipal: 391.970,00€
Eu não sei o que a Polícia Municipal de Lagoa veste, mas pelos vistos deve ser
Haute-Couture.

 
Câmara Municipal de Loures - VINHO TINTO E BRANCO: 652.300,00 €
Alguém me explica porque é que a Câmara Municipal de Loures precisa de mais de meio milhão de Euros em Vinho Tinto e Branco????
 Municipio de Vale de Cambra - AQUISIÇÃO DE VIATURA LIGEIRO DE MERCADORIAS: 1.236..000,00 €
Neste contrato ficamos a saber que uma viatura ligeira de mercadorias da Renault custa cerca de 1 milhão de Euros. Impressionante.
 
Câmara Municipal de Sines - Aluguer de tenda para inauguração do Museu do Castelo de Sines: 1.236.500,00 €
É interessante perceber que uma tenda custa mais ou menos o mesmo que um ligeiro de mercadorias da Renault. E eu que estava a ser tão injusto com o município de Vale de Cambra.
 
Municipio de Vale de Cambra - AQUISIÇÃO DE VIATURA DE 16 LUGARES PARA TRANSPORTE DE CRIANÇAS: 2.922.000,00 €
E mais uma pérola do Município de Vale de Cambra: uma viatura de 16 lugares para transportar crianças custa cerca de 3 milhões de Euros. I-M-P-R-E-S-S-I-O-N-A-N-T-E!!!!
Só para terem um termo de comparação vejam
este contrato público realizado pelo Município de Ribeira de Pena que ficou um pouquinho mais em conta e aparentemente para uma viatura melhor.
 
Município de Beja - Fornecimento de 1 fotocopiadora, "Multifuncional do tipo IRC3080I", para a Divisão de Obras Municipais: 6.572.983,00 €
Este contrato público é um dos mais vergonhosos que se encontra neste site. Uma
fotocopiadora que custa normalmente
7,698.42€ foi comprada por mais de 6,5 milhões de Euros. E ninguém vai preso por merdas como esta?
 

Agência para a ModernizaçãoAdministrativa, IP -
Renovação do Licenciamento de software Microsoft: 14.360.063,00 €
E para finalizar, a pérola do software proprietário. Não admira que a Microsoft goste tanto de Portugal.. Mais de 14 milhões de Euros em licenças...

 

 Obrigado Tó!

 

 

publicado por RiViPi às 09:54

03
Nov 09

Um dia por semana, normalmente às quartas ou quintas-feiras, António Costa poupa-se à viagem de 50 minutos entre casa, na zona de Torres Vedras, e o trabalho, em Oeiras, perto de Lisboa.

Nuno Ferreira Santos

A empresa de António Costa permite-lhe optar um dia por semana, às vezes dois, pelo teletrabalho

Levanta-se cedo, como nos outros dias, e veste-se como se fosse para o escritório, mas com uma excepção: não põe a gravata. "De resto, tenho as mesmas rotinas" - e, depois de as cumprir, isola-se em silêncio numa divisão da casa ("a empregada sabe que não pode usar o aspirador") e liga o computador. Normalmente, acaba por trabalhar mais horas do que faria se tivesse ido para o escritório.

 

António Costa, 43 anos, trabalha na Oni, uma empresa que arrancou este mês com um programa que permite a alguns trabalhadores optarem por um regime de teletrabalho. O esquema é simples: um dia por semana (às vezes dois) é possível trabalhar remotamente. As segundas e as sextas-feiras são dias proibidos, para evitar fins-de-semana prolongados. Ao todo, cerca de dez por cento dos 280 trabalhadores da Oni ficam um dia por semana em casa.

 

A experiência de teletrabalho na Oni funciona apenas em “part-time”. Mas, noutras empresas, há quem tenha experimentado trabalhar à distância e não queira agora outra coisa. Com 51 anos, os últimos 27 passados na IBM Portugal, António Santos rendeu-se: "Não sinto necessidade de voltar ao escritório." Hoje, explica, só vai à empresa por uma razão: "Deixar o justificativo das despesas de trabalho." Mas depressa acrescenta: "E também é bom tomar um café com os colegas."

 

Parte do tempo de trabalho de António Santos é passada em viagens fora do país. Mas as viagens não chegam para tudo e já se habitou a reuniões feitas ao telemóvel e a trabalhar com pessoas cuja cara nunca viu, a não ser em fotografia. "Passo por dia umas seis horas ao telefone. E nessas seis horas falo com colegas de todas as partes do mundo."

 

Quando não está em viagem, fica em casa, nos arredores de Lisboa. E só vê vantagens: não perde tempo (e paciência) no trânsito, tem mais disponibilidade para a família e até as reuniões por telefone ou videoconferência começam a horas: "Contrariamente ao que acontece nas reuniões presenciais, em que as pessoas vão falando enquanto esperam por alguém, ninguém tem paciência para esperar 15 minutos ao telefone."



Poucos por cá

Profissões como a de tradutor ou jornalista - essencialmente solitárias - já eram facilmente exercidas a partir de casa. Mas os sistemas de

chat

e de videoconferência, os telemóveis onde é possível aceder ao e-mail e à Web, e a restante parafernália tecnológica comum em muitas empresas de hoje permitem o trabalho fora do escritório. Em Portugal, contudo, a ideia não é popular. Um levantamento feito pela União Europeia em 2005 colocava o país praticamente no fundo da tabela, com pouco mais de três por cento dos trabalhadores a exercerem funções a partir de casa (o que incluía

freelancers

e trabalhos em

part-time

). A média europeia ultrapassava então os oito por cento.

 

Professora no Instituto Superior de Economia e Gestão, Sara Falcão Casaca explica por que muitas empresas estão de pé atrás: "O teletrabalho permanece ainda pouco atractivo para muitos segmentos, que estão apegados a métodos de gestão tradicionais e onde o controlo directo é considerado imprescindível."

 

Da parte do trabalhador também há obstáculos, sublinha a investigadora. Quem trabalha em regime de

freelancing

, por exemplo, tem de suportar os custos da ligação à Internet (e, em 2008, 51 por cento dos portugueses que não tinham Internet em casa apontavam como problema o preço da ligação).

 

Por fim, acrescenta Casaca, homens e mulheres têm motivações diferentes para transformar a casa no local de trabalho: eles procuram "maior eficiência, grande concentração nas tarefas e produtividade"; no caso delas, "a opção pelo trabalho surge claramente após o nascimento dos filhos (e quando estes são pequenos), como uma forma de conciliarem uma actividade remunerada com a possibilidade de estarem próximas das crianças".



Ninguém quis

Não ir para o escritório, passar mais tempo perto da família, ter horários flexíveis - são vantagens apontadas por quem experimentou um regime de teletrabalho. Mas nem sempre isto chega para convencer os funcionários de uma empresa. Foi o que aconteceu na Microsoft.

 

Há uns anos, a subsidiária portuguesa da Microsoft abriu a possibilidade de trabalho a partir de casa. "Em mais de 350 pessoas, ninguém quis", recorda a directora de relações públicas, Patrícia Fernandes. Como resultado, vigora na empresa uma espécie de trabalho à distância não formalizado e alguns trabalhadores podem estar fora do escritório. Foi ao abrigo desta possibilidade que, o ano passado, Patrícia se fechou em casa durante cinco semanas. O objectivo era preparar a visita a Portugal do presidente da Microsoft, Steve Ballmer.

 

Nas instalações da empresa Patrícia não conseguia a concentração necessária. Em casa, a produtividade aumentou. Exactamente como aconteceu com António Costa, que aprecia a calma do dia semanal que passa fora das instalações da Oni: "Consigo fazer tudo mais rapidamente e de forma muito mais assertiva. Tenho mais paz de espírito, nada de reuniões a interromper-me. Tenho esta necessidade de alguns períodos de tempo em que possa ter mais serenidade."

 

De resto, e de forma muito semelhante, ambos apontam como grande vantagem o tempo que se poupa. Patrícia Fernandes: "Não há nenhuma razão que me obrigue a ir ao escritório e poupo o tempo da deslocação. Não tenho interrupções. Almoço mais depressa, porque não tenho de ir a restaurante. Trabalha-se muito mais a partir de casa!" António Calado: "Não saio para almoçar. O dia de trabalho prolonga-se, porque não tenho a pressão de ir para casa ao fim do dia. Trabalho dez horas num dia."

 

Há, porém, problemas. Um deles, nota Patrícia, é a ausência de convívio com os colegas. "Há uma desintegração, há pequenas coisas que acontecem no escritório e que ficamos sem saber. Perdemos isso tudo."

 

Sara Falcão Casaca observa que existem "razões culturais que explicam o facto de a maioria dos trabalhadores portugueses valorizar fortemente a possibilidade de estabelecer redes de sociabilidade no local de trabalho". Ora, "o teletrabalho é uma modalidade que está associada a um grande isolamento social e as redes de relacionamento virtuais são vistas como complementares, mas dificilmente como substitutas da riqueza das interacções face a face". Para a directora de comunicação da Microsoft, bastaram cinco semanas em casa para que este fenómeno se tornasse claro: "Eu nunca queria fazer isto a tempo inteiro. A sociabilização do emprego perde-se totalmente."



Questão de disciplina

Há dias em que nem sequer sai do apartamento que partilha com a irmã, no centro de Lisboa. Mas não é por opção. Lúcia Mascarenhas, 26 anos, trabalha para o Instituto Camões, a gerir um curso online de português para estrangeiros. Nem sequer lhe deram a opção de trabalhar nas instalações do instituto, quando, há dois anos, lhe ofereceram o emprego, que consiste em administrar a plataforma do curso, preparar os conteúdos e reunir-se semanalmente com os alunos, através do Skype, um popular serviço de chamadas de voz por Internet.

 

Para Lúcia, trabalhar exclusivamente a partir de casa tem várias vantagens. Uma delas é poder conciliar o trabalho com outras actividades - eventualmente, diz, até um outro emprego, a dar aulas numa escola de línguas, por exemplo. Mas esta modalidade também tem inconvenientes: a falta de contacto com outras pessoas, a inexistência de controlo, a ausência de divisão entre um espaço pessoal e um espaço profissional.

 

Lúcia foi "arranjando estratégias" para contornar alguns dos problemas. Uma regra é trabalhar na sala e nunca no quarto. Outra é assegurar a disciplina. "Quando se trabalha em casa, há a tendência para se dizer "Já vou trabalhar" e liga-se a televisão ou vai-se tomar um café." E, por fim, faz questão de manter rotinas: "De manhã, tento fazer as rotinas normais [de uma pessoa que sai de casa para trabalhar]. Se não tivermos essas rotinas, não é fácil manter a sanidade."

 

Também António Santos, da IBM, concorda com a necessidade de regras: "É importante nestas coisas manter uma disciplina, não podemos deixar que o ambiente familiar colida com o ambiente profissional." E António Costa, da Oni, resume o problema: "É preciso ter cuidado. O teletrabalho é sem sombra de dúvida mais produtivo. Mas pode descambar."

 

Os dias de trabalho de Lúcia estão longe de ser curtos. Em média, seis a oito horas por dia. Por vezes, mais. "Houve alturas em que nem meia hora tinha para almoçar." Ainda assim, no caso de Lúcia, o teletrabalho tem outro problema: "Às vezes, perguntam-me se não quero arranjar um emprego a sério."

publicado por RiViPi às 17:53

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