Tudo o que vem à rede é peixe

24
Mar 05
Já vai para 15 anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca.Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante. Aqui, qualquer projecto demora 2 anos a concretizar-se, mesmo que a ideia sejabrilhante e simples. É regra. Então, nos processos globais, nós (portugueses, brasileiros, americanos, australianos, asiáticos, etc.) ficamos aflitos para obter resultadosimediatos, numa ansiedade generalizada. Porém, o nosso sentido de urgência não surte qualquer efeito neste país. Os suecos discutem, discutem, fazem"n" reuniões e ponderações. E trabalham num esquema bem mais "slowdown". O pior é constatar que, no fim, acaba por dar tudo certo no tempo deles, com a maturidade da tecnologia e da necessidade; aqui, muito pouco se perde.É assim:1. O país é cerca de 3 vezes maior que Portugal;2. O país tem 2 milhões de habitantes;3. A sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (Lisboa, quetem 1 milhão);
4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia,...5. Para ter uma ideia, a Volvo fabrica os motores propulsores para os foguetes da NASA.Digo a todos estes nossos grupos globais de trabalhadores: os suecos podem estar errados, mas são eles que pagam nossos salários.Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura colectiva do que eles. Vou contar-vos uma breve história, só para vos dar uma noção...A primeira vez que fui para lá, em 1990, um dos colegas suecos apanhava-me no hotel todas as manhãs. Era Setembro, frio, e a neve estava presente.Chegávamos bem cedo à Volvo e ele estacionava o carro longe da porta de entrada (são 2.000 funcionários de carro). No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, uma manhã perguntei-lhe:- Você tem lugar marcado para estacionar aqui? Chegamos sempre cedo, o estacionamento está vazio e você deixa o carro à ponta do parque.Ele respondeu-me, simples, assim:- É que, como chegamos cedo, temos tempo de andar. Quem chegar mais tarde já vem atrasado, precisa mais de ficar perto da porta. Você não acha?Nesse dia, percebi a filosofia sueca de cidadania! Serviu também para rever os meus conceitos. SLOW vs FAST.Há um grande movimento na Europa hoje, chamado SLOW FOOD. A SlowFood International Association - cujo símbolo é um caracol, tem a sua sede emItália (o site, é muito interessante. Veja-o). O que o movimento SLOWFOOD prega, é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" a sua confecção, no convívio com a família, com os amigos, sem pressas e com qualidade. A ideia é a de se contrapor ao espírito do FAST FOOD e tudo o que ele representa como estilo de vida, em que o americano "endeusificou".A surpresa, porém, é que esse movimento SLOW FOOD serve de base a um movimento mais amplo chamado SLOW EUROPE, como salientou a revista Business Week na sua última edição europeia. A base de tudo, está no questionar da "pressa" e da "loucura" gerada pela globalização, pelo apelo à "quantidade do ter" em contraponto à qualidade de vida ou à "qualidade do ser".Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas, (35 h / semana) são mais produtivos que os seus colegas americanos ou ingleses. E os alemães, que em muitas empresas instituíram a semana de 28,8 horas de trabalho, viram a sua produtividade crescer nada menos que 20%.Esta chamada "slow atitude" está a chamar a atenção, até dos americanos, apologistas do "Fast" (rápido) e do "Do it now" (faça já).Portanto, esta "atitude sem-pressa" não significa, nem fazer menos, nem menor produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais "qualidade" e "produtividade" com maior perfeição, atenção aos pormenores e com menos "stress". Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do "local", presente e real, em contraste com o "global" indefinido e anónimo.Significa a retoma dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do quotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé. Significa um ambiente de trabalho menos coercivo, mais alegre, mais "leve" e, portanto, mais produtivo onde os seres humanos, felizes, fazem com prazer, o que sabem fazer de melhor.Gostaria de que vocês pensassem um pouco sobre isto. Será que os velhos ditados "Devagar se vai ao longe" ou "A pressa é inimiga da perfeição já não merecem a nossa atenção, nestes tempos de loucura desenfreada? Será que as nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de "qualidade sem-pressa", até para aumentar a produtividade e qualidade dos nossos produtos e serviços, sem a necessária perda da "qualidade do ser"?
Paulo
publicado por RiViPi às 05:12

16
Mar 05

A educação-modelo duma “menina bem educada”

Resume-se numa ignorância completa das coisas da vida, no sufocamento de todos os ímpetos, de todas as expansões naturais. Encobrem-lhe a natureza como infâmia. Mas é sabido: quanto mais nos ocultam uma coisa, maior vontade nós temos de a conhecer. E astuciosamente, matreiramente, a criança vai fazendo o possível por desvendar o que lhe escondem até descobrir toda a verdade. Ora essa verdade, se lha ocultaram, deve ser criminosa. O seu cérebro inexperiente, ainda incapaz de diferenciar o errado do verdadeiro, aceita o erro… mesmo porque nos lisonjeia sempre estarmos na posse do segredo dum crime… E cala-se e dissimula. Finge que nada sabe, que nada percebe; continua a ser para todos os efeitos a donzelinha inocente, comedida e casta, honra das famílias e enlevo dos poetas líricos. Eis como nasce a hipocrisia, essa hipocrisia que constitui na realidade o fundo da alma feminina. Mas, por amor de Deus, com semelhante educação, como é que havia de ser doutra forma?
Oh! A tragédia silenciosa dos vinte anos duma rapariga bem educada… Um calvário pungente e mesquinho de silêncios forçados, de simulação contínua, de mentiras inúteis!
Pobres raparigas da minha idade!... Caladinhas são um encanto, mas falam e tudo está perdido! Através das suas palavras, nitidamente surge a cada passo a miséria desoladora duma educação toda errada, contrária à vida, contrária à natureza. E são risos abafados, são súbitos silêncios, rubores súbitos: Elas sabem muito bem quando se devem calar, sabem o que lhes é proibido e têm um cuidado extremo em não infringir essas proibições - justamente porque conhecem de sobejo aquilo que o convencionalismo lhes manda ignorar. Diante das mães e das tias, é claro, ou da gente de cerimónia. A sós com as companheiras, muda a conversa de rumo e só do proibido se fala. Atascam-se então no lodo que lhes é vedado palminhar descalças, e as tristes não vêem que esse lodo foi o que uma sociedade torpe fez da água límpida, da água cristalina e puríssima onde, sem crime, podiam mergulhar todas nuas.
Cegas elas próprias, educarão mais tarde identicamente as filhas. E os homens clamam no seu orgulho revoltante de machos:
- A mulher é um ser inferior… em geral de pouca inteligência; fútil, má e falsa.
Mas decerto. É isso. É isso porque a fizeram assim. Fizeram-na assim os homens, e ela mesma colaborou na sua destruição. As mães são as piores inimigas do seu sexo.
Pobres raparigas da minha idade, criaturas de graça, cheias de vida, sadias, robustas, de lábios frescos e rosados, de seios erguidos, de corpos flexíveis; em nome dos bons-princípios, esvaziaram-vos os cérebros, trocaram-vos as almas!...


Mário de Sá Carneiro, Primeiros Contos (Incesto),página 104.
 Posted by Hello
publicado por RiViPi às 07:43

15
Mar 05
Alguns Pcs necessitam de um endereço de IP fixo

Um endereço MAC está relacionado tanto com o endereço Internet Protocol (IP) como com o endereço DHCP e é fundamental para o funcionamento de ambos. O IP especifica que os dados são transmitidos em pacotes de duas partes. Têm um header com detalhes acerca da fonte do destino (entre outras coisas) e a mensagem de dados em si. Recorrer a um IP estático significa que todos os outros PCs vão poder encontrá-lo na rede. É esta a razaão pela qual um router de banda larga beneficia de um IP estático.
A Dynamic Host Configuration Protocol (DHCP) fornece os meios para a atribuição temporária do endereço IP a um PC. As redes têm uma série de endereços IP que podem ser atribuídos a máquinas que se juntem à rede. Este processo é automático. O DHCP é utilizado pelos ISP na atribuição de endereços IP quando os seus clientes navegam na Internet

PCGUIA, Dezembro 2004
publicado por RiViPi às 00:49

14
Mar 05
- Papel de trinta e cinco linhas. Ditado!
A esta palavra, a sala ficava silenciosa. Havia em todos, pequenos e grandes, um sagrado respeito pelo ditado e pelos alunos que o faziam. Enquanto ele durava, claro.
O senhor professor pigarreava, a limpar a garganta do catarro de fumador, e principiava, depois de repetir em voz alta – Ditado:
- O calor dilata os corpos...
Era a hora recolhida da escola. A ninguém apetecia ir lá fora mijar ou satisfazer qualquer outra necessidade. Os da primeira soletravam o bê-á-bá de boca fechada, e quem já sabia contas fazia contas.
O mestre, encostado à secretária, o livro na mão esquerda, a cana-da-índia na direita, continuava:
- O calor, vírgula; a luz, vírgula; o som, vírgula; são agentes físicos. Ponto. Fí-si-cos... Já se não usa o ph, como lhes tenho ensinado. Há ainda certos autores que o empregam, mas só por caturrice...
De facto, o senhor Botelho percebera que o Júlio Fraga, naquele levar o rabo da caneta à boca, naquele olhar fixamente o tecto, matutava no ph.
- A física é uma ciência... Prestem atenção: ciência! Lembrem-se dos acentos...
E continuava a ditar e a adivinhar os erros e as dificuldades de cada um.
Na dianteira não se podia fazer batota. Ninguém tentasse ensinar ou pedir que lhe ensinassem: era caqueirada de meia noite. Atrás, porém, o Boca Torta, por mímicas inverosímeis, lá conseguia dar uma ajuda ao Codinhas, sempre aflito com os cês cedilhados.
Suávamos todos. Mas limpávamos pressurosamente as mãos à camisa, não fôssemos borrar a escrita, que havia de ser vista e classificada pelo senhor Inspector, como tinhamos sido solenemente avisados.
Até que saia da boca do mestre almejado ponto-final-e-disse, secundado por um explosivo ruído de alívio de toda a escola.
Começava então a emenda, com a sua palmatoada, os seus puxões de orelhas, a sua choradeira. Mas a canalha miúda, que retomara a voz, não queria saber de desgraças, e seguia cantando monotonamente:
Bê-á-bá; bê-é-bé; bê-i-bi; bê-ó-bó; Bê-u-bu; três vezes um, três; três vezes dois, seis; três vezes três, nove; três vezes nove, vinte e sete...
- Quem morreu foi o Baetas, à porta do cagalhetas... – rematava o Rei Grilo.
E mais ou menos assim acabava a aula da manhã.

Miguel Torga, A Criação do Mundo
publicado por RiViPi às 06:28

08
Mar 05
As exigências de Quioto são uma oportunidade para o país se modernizar. O choque de mentalidades passa por aqui.
Durante o mês de Março abrirá o Mercado Europeu do Comércio de Emissões. Enquanto ainda se apanham as canas dos foguetes eleitorais, já «ardem» as acções na «Bolsa de Valores da Poluição». Convém, pois, que os portugueses acertem as horas pela realidade porque, mais cedo do que pensam, ela vai-lhes bater à porta e pesar na bolsa. É que, o «velho» Protocolo de Quioto, assinado em 1997, entrou em vigor a 16 de Fevereiro. Que temos nós a ver com isso?
Temos tanto quanto os outros 141 países que o ratificaram e, para nosso mal, um bocadinho mais, já que somos, juntamente com a Irlanda e a Espanha, os países europeus que mais aumentaram as emissões de gases com efeito de estufa. Com uma diferença: os outros dois aumentaram em muito o PIB e nós não... Ou seja, somos neste momento o país da Europa que mais gases poluentes emite proporcionalmente à produção que tem. É um triste atestado dos (diversos) atrasos do país.
Nas últimas décadas, tornou-se claro para quase todos os responsáveis que o mundo estava a atravessar graves crises de mudanças climáticas que produziam cada vez mais catástrofes. São conhecidos sobretudo os fenómenos extremos: muito frio, muito calor; muita chuva, muitas secas. Quase todos os cientistas concordam que a principal causa destas brutalidades climáticas é um fenómeno chamado efeito de estufa, e que este resulta da acumulação ao longo dos últimos 100 anos de seis tipos de gases, sobretudo do célebre dióxido de carbono (CO2).
Espiolhado o CO2 percebeu-se que uma grande parte deste seu aumento provém da queima exponencial dos chamados combustíveis fósseis - carvão, petróleo, gás. O problema é que todo o desenvolvimento das sociedades modernas assenta nisto e a Humanidade está entre a espada e a parede: ou muda rápida e decisivamente hábitos de consumo e sistemas produtivos, ou acaba intoxicada por si própria.
E quem o diz não são profetas da desgraça - são cientistas. No último número da revista «Science», analisaram-se 928 artigos sobre as Alterações Climáticas publicados nos últimos 10 anos em revistas científicas. Todos concluíam o mesmo: as alterações climáticas são provocadas em grande parte pelas actividades humanas.
Dado o alerta, a comunidade internacional decidiu programar metas para a redução das emissões de CO2 sob a liderança da UE. É daí que resultam os acordos de Quioto aos quais estamos vinculados. Na prática, os acordos criaram metas para a redução até 2010 e um sistema de rateio, já que nem todos os países se encontravam nas mesmas condições de partida para conseguirem diminuir as suas emissões sem consequências gravosas do ponto de vista humano.
A solução encontrada foi a atribuição a cada país de quotas decrescentes de direitos a emitir CO2 em função do respectivo atraso - ou avanço - económico e tecnológico. Os mais avançados, mais perto de se reconverterem, davam assim uma mãozinha aos mais atrasados. Foi o caso de Portugal, que obteve a possibilidade de aumentar as suas emissões em cerca de 27% tomando por referência o ano de 1990.
O sistema não é famoso e basta ver que o país mais avançado do mundo, que é também o maior poluidor, recusa-se, desde que George W. Bush lá está, a entrar no concerto das nações. Mas entrou a Rússia e com isso viabilizou os acordos e Quioto.
O problema é que, em Portugal, em vez de se aproveitar a oportunidade para estimular uma economia das energias alternativas, modernizar o tecido produtivo português, desenvolver tecnologia própria e, por tabela, melhorar a saúde pública, a gestão política desta situação conseguiu inclinar tudo no mau sentido.
Agora, depois de anos sem política energética, a que se seguiram anos de «política energética do salve-se quem puder», as metas draconianas dos compromissos comunitários vão revelar-se da forma habitual junto das vítimas do costume: os cidadãos contribuintes. Como foi isto possível? Com as políticas às avessas da racionalidade e do bom senso.
Desde logo, as 248 grandes empresas que já vão entrar no comércio de emissões, e em relação às quais foi atribuída uma quota de poluição através do Plano Nacional de Alocação das Licenças das Emissão (PNALE), não vão ter de se esforçar muito. Quase todos os sectores industriais conseguiram obter quotas de tal modo permissivas que, em vez de serem estimulados a reduzir as emissões, acabou-se por lhes conceder uma margem de manobra para continuarem a poluir como sempre fizeram. Bruxelas ainda refilou, e o Estado lá teve que reduzir um bocadinho o bónus que havia dado às empresas, mas mesmo assim elas estão à vontade. Algumas até vão encontrar nisso um belo truque contabilístico: tendo ganho o direito a poluir, mas sabendo que podem poluir menos, ficam com um cheque para poder vender no mercado das emissões. A batata quente passou para a sociedade civil. Ou seja, da quota total a que Portugal tinha direito, uma boa fatia foi atribuída à grandes empresas, logo, quando chegar a multa pelo excesso de emissões, ela será cobrada através de impostos directos e indirectos aos cidadãos. E os cidadãos são de facto aqui o elo mais vulnerável e difícil de gerir em termos das emissões totais do país.
SOLUÇÕES À VISTA
A maior parte das emissões com origem na vida corrente da sociedade civil provém dos transportes rodoviários e dos gastos de electricidade domésticos e similares. Este perfil de emissões retrata um dos mais arrastados problemas estruturais: o desordenamento do território. Produzimos imensas emissões porque tudo em Portugal circula demasiado, em rodovia, utilizando transportes obsoletos e muito poluentes e esta tendência não pára de se agravar: o estradismo, o carrismo e o camionismo continuam na linha da frente da política de transportes. Apesar dos investimentos no metro e no comboio, continua a encher-se as cidades de túneis inúteis (como é o do Marquês de Pombal), de pontes rodoviárias (como pretende ser a nova travessia do Tejo em Algés) e de parques subterrâneos. Tudo solicitações ao uso do automóvel, contrárias à redução das emissões.
Mais grave ainda, continua a deixar-se que se importem carros e autocarros obsoletos altamente poluentes - autêntica sucata europeia -, e que mais cedo ou mais tarde irão ter de pagar impostos elevados.
Quanto aos gastos de electricidade nos edifícios de habitação e escritórios, dispararam brutalmente. Quase toda a climatização é feita à custa de muita electricidade que, por sua vez, representa um aumento das emissões. Nos últimos anos o consumo de electricidade tem aumentado em média 6% ao ano. Comparando Janeiro de 2004 com Janeiro de 2005, constata-se mesmo um aumento de 10%.
A instalação de painéis solares para aquecer a água continua incipiente e só agora se tornou obrigatória (mesmo assim só para os casos em que «for viável»...). Mas estamos a milhas da racionalização energética dos edifícios. A qualidade da nossa construção é péssima sob o ponto de vista climático.
Não há então solução nenhuma? Há e algumas até já estão previstas no Plano Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC) - um plano que nunca mais passa à prática - e no Programa E4, aprovado em 2002 sob a batuta de Oliveira Fernandes, então secretário de Estado da Energia. Há que retirá-los da letargia em que a obtusa sonolência das políticas energéticas do país os tem mantido.
O PNAC aponta, entre várias outras medidas, para o crescimento e diversificação das fontes de energia renovável. Se estas fossem bem aproveitadas, seria possível diminuir a factura energética e activar um sector novo da economia.
Mas o tempo passa; os planos não produzem efeitos e os governos chegam até a encarar com desdém estas «mariquices», sem ver nisto uma oportunidade de tornar o país mais competitivo. Porque é disso que efectivamente se trata - levar a sério as exigências de Quioto, só pode tornar Portugal economicamente mais moderno e eficiente e melhorar ao mesmo tempo a saúde pública e qualidade de vida de todos nós. O «choque tecnológico» passa sem dúvida por aqui!
Agora, dois anos depois do PNAC, sem que nenhuma das medidas previstas se tenha tornado visível no nosso quotidiano, a comunidade internacional vem acordar-nos de sopetão.
Mas acordar de repente não tem de ser só uma má notícia. O novo mercado das emissões traz também um leque de oportunidades de mudança positivas e estimula novas iniciativas.
Em muitos lugares do mundo proliferam medidas bem simpáticas para um futuro energético mais racional e mais são. Há bancos e empresas que já se publicitam pelo seu desempenho energético anunciando taxas de emissão zero. Há municípios como Toronto, ou estados como a Califórnia, que, tendo conseguido reduzir muito as suas emissões, já contabilizaram e publicitaram os milhões de dólares poupados. Há também quem já ofereça créditos de emissão no dia da mãe, ou quem, como Leonardo di Caprio, seja accionista de projectos florestais em países do Terceiro Mundo.
Por cá, tudo isto parece ficção científica, da mesma maneira que o sol continua a servir apenas para bronzear nórdicos. Mas atenção, o mercado de emissões é já para amanhã.

Luísa Schmidt
publicado por RiViPi às 06:24

06
Mar 05
As obras lexicográficas têm como objectivo o estudo das unidades lexicais e dividem-se em vocabulários, glossários e dicionários. Os vocabulários referem-se a subsistemas da língua, como áreas técnicas ou científicas, enquanto que os glossários são mais específicos, debruçando-se sobre a linguagem individual de um autor (o seu idiolecto) ou sobre uma obra. Os dicionários, por seu lado, tratam normalmente todo o léxico de uma língua.
A Lexicografia é um ramo da Lexicologia (estudo do léxico) que se dedica à análise dos dicionários, através da Dicionarística, para além de elaborar a teoria para a sua realização, através da Metalexicografia. Os dicionários são, tal como as gramáticas, elementos de descrição da língua, mas enquanto estas apenas dão conta dos seus fenómenos regulares, aqueles tratam do significado das suas unidades lexicais.
Os dicionários podem ter um suporte informático ou impresso, sendo que os primeiros permitem uma consulta mais rápida e flexível, para além de serem mais facilmente actualizáveis. Actualmente, mesmo os dicionários de suporte impresso têm uma base de dados lexicais recolhida por meios informáticos, embora nenhum destes suportes dispense a intervenção humana através da triagem. No que diz respeito ao formato, os dicionários variam entres os de bolso e os de vários volumes.
A forma como a informação linguística é tratada no dicionário vai definir a sua tipologia, diferenciando-se imediatamente os dicionários de língua, que classificam e definem as unidades lexicais, das enciclopédias, que definem essencialmente entidades não linguísticas. Existem ainda dicionários enciclopédicos que conciliam a informação linguística com a informação geral.
Em relação à sua função, os dicionários podem ser monolingues, quando definem as palavras listadas; bilingues, quando apresentam equivalentes dessas palavras noutra língua; ou multilingues, quando apresentam equivalências em mais do que uma outra língua. Quanto à sua abrangência, um dicionário pode ser geral, registando o maior número possível de palavras e acepções; de aprendizagem, limitando ao básico número de entradas; ou especializado, limitando-se a uma determinada área da linguagem ou mesmo ao idiolecto de um autor. Os dicionários especializados apresentam dificuldades de inclusão, já que a barreira entre vocabulário geral e especializado é flexível. A sua variação pode ser diatópica (dicionário de dialectos), diastrática (dicionários de gírias), diatécnica (dicionários terminológicos), diafásica (dicionários de calão), diaintegrativa (dicionários de estrangeirismos) ou dianormativa (dicionários de correcção linguística).
Os dicionários podem ser descritivos se apenas definirem as entradas; ou normativos se apresentarem orientações fonéticas e ortográficas. Os dicionários normativos costumam conter abonações e hesitam em incluir neologismos, estrangeirismos, regionalismos, gírias ou calão. Os dicionários podem ainda ser sincrónicos, se apenas explicarem o significado das entradas; ou diacrónico, se derem conta da origem, dividindo-se então em etimológicos (dão conta apenas da sua origem) e históricos (apresentam toda a sua evolução). Os dicionários podem também ser onomasiológicos (centrados no emissor), servindo então para a codificação (fornecem os significantes correspondentes a um significado) ou semasiológicos (centrados no receptor), servindo então para a descodificação (fornecem os significados possíveis de um significante).
Os dicionários onomasiológicos baseaim-se em imagens (pictóricos), servindo ainda para indicar a pronúncia (ortoépicos) ou a grafia (ortográficos) correcta das palavras. A combinação dos significantes é tratada por dicionários de formação de palavras ou de regimes. Existem ainda dicionários de dúvidas que se debruçam sobre dificuldades de pronúncia, ortografia, construção ou regimes. Os dicionários onomasiológicos costumam ter uma orientação normativa.
Os dicionários semasiológicos, por seu lado, baseiam-se apenas na definição das palavras da língua, representadas pela sua ortografia vigente. Alguns dicionários como os de fraseologia têm como entradas monemas (unidades mínimas de significantes) e não palavras. Outros dicionários semasiológicos são os de neologismos e estrangeirismos. As entradas destes dicionários costumam ser agrupadas por ordem alfabética, enquanto que nos onomasiológicos são ordenadas por matérias, embora exista normalmente um índice alfabético.
Os dicionários onomasiológicos são normalmente monolingues, mas os semasiológicos podem também ser plurilingues (bilingues ou multilingues), indicando não o significado dos significantes, mas a sua tradução para outras línguas. Os dicionários multilingues costumam agrupar os significantes em colunas paralelas, uma para cada língua, e exigem uma correspondência absoluta entre monemas, pelo que costumam limitar-se a um âmbito terminológico.
Tanto um dicionário geral como um parcial podem ser exaustivos ou selectivos, consoante o seu objectivo de descrever a totalidade da língua ou apenas os seus lemas mais pertinentes, através da frequência de uso ou da racionalidade, incluindo então também palavras relacionadas com as mais frequentes. Existem também dicionários paradigmáticos, que tratam da relação entres os significantes, como os dicionários de sinónimos ou antónimos. De notar ainda os guias de conversação, destinados a aprendentes estrangeiros, que ordenam as entradas por situações de comunicação, e dicionários de estilo, de pendor normativo.
Toda a informação presente num dicionário está organizada em macro-estrutura e micro-estrutura. A macro-estrutura consiste no conjunto de entradas e em todos os complementos do dicionário, como o prefácio, a lista de abreviaturas ou um apêndice gramatical. Na macro-estrutura devem estar indicados os critérios utilizados na elaboração do dicionário e o público a que este se destina.
A micro-estrutura, por seu lado, consiste nos verbetes relativos às entradas, devendo todas as palavras utilizadas no verbete ser definidas numa entrada própria. Os verbetes compreendem informação geral (etimológica, geográfica, de domínio e nível de língua, de vigência de uso), gramatical (de categoria linguística) e semântica (definição), com possíveis exemplos reais ou forjados. O tipo e a quantidade de informação dependem da tipologia do dicionário e do seu público-alvo.
Dependendo da sua tipologia, que define o utilizador a que se destina, os critérios de avaliação do dicionário vão variar, embora deva sempre existir uma coerência interna e um permanente respeito pelos objectivos estabelecidos no prefácio. A macro-estrutura e a micro-estrutura devem ser claras e informativas, sendo de evitar a redundância (agrupando definições idênticas na mesma entrada) e a circularidade (definindo uma unidade em vez de a remeter indefinidamente).
Para além de um critério rigoroso, que deve evitar redundâncias e circularidade, um dicionário deve possuir um sistema de remissões, que facilite a sua consulta. Estas remissões podem ser formais, remetendo para palavras homógrafas, homófonas ou parónimas; morfológicas, remetendo para o lema de palavras irregulares; ou semânticas, remetendo para sinónimos, antónimos, hiperónimos ou hipónimos.
As palavras homónimas (com a mesma forma, mas origens diferentes), sejam elas convergentes (provenientes da evolução dos étimos latinos) ou estruturais (provenientes de diferentes construções morfológicas) devem estar em entradas diferentes, ao contrário das palavras polissémicas (com a mesma forma e origem), que, por provirem de derivações semânticas (metáforas, metonímias ou sinédoques), devem ficar na mesma entrada. Esta ambiguidade linguística, a par com a difícil actualização e a falta de sistemacidade, torna a manutenção da coerência dicionarística bastante difícil.
Pedro Caeiro (apontamentos)
publicado por RiViPi às 05:38

05
Mar 05

Europa Posted by Hello
publicado por RiViPi às 04:56


Iraque Posted by Hello
publicado por RiViPi às 04:35

03
Mar 05

Educação Posted by Hello
publicado por RiViPi às 05:38


Fundação Calouste Gulbenkian
8 e 9 de Março de 2005


Coordenação: Prof. Roberto Carneiro
TEMAS


· Educação e Tecnologia
· A experiência das TIC nos ensinos básico e secundário
· Sociedade da Informação, Sociedade do Conhecimento e Sociedade Educativa: As TIC e a Aprendizagem ao Longo da Vida
· As Dinâmicas de Mudança: Organizacional, Pedagógica e Comportamental

Temos vindo a ser confrontados com estudos internacionais que identificam de uma forma inequívoca a inadequação do sistema educacional em particular ao nível do ensino básico e secundário, com dificuldade na formação de cidadãos aptos para abraçar as oportunidades e os desafios das sociedades avançadas que têm por base o conhecimento e a capacidade de transformar tal conhecimento em riqueza.

Nos próximos dias 8 e 9 de Março, a APDSI irá promover a conferência “e-Educação - O que tem o sector da Educação a ganhar com o desenvolvimento da SI”, um encontro onde pretenderá mobilizar as instituições, os cidadãos e as empresas no desenvolvimento de acções que contribuam para a mudança urgente do actual sistema de ensino e formação em Portugal.

Durante os dois dias o encontro dinamizado pela Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação tentará analisar até que ponto a educação está a sofrer transformações induzidas pela disseminação em escala alargada das novas tecnologias, quer a nível da sua função social quer dos "pesados" sistemas educativos.

"A instituição escolar tem sabido resistir às sucessivas vagas tecnológicas anteriores. De facto, a televisão, a telefonia, os velhos media em geral, não foram capazes de produzir modificações estruturais nos modos tradicionais de ensinar e de aprender na escola. Permanece, pois, a dúvida de saber até que ponto as TIC serão capazes de revolucionar a educação ou se, tal como aconteceu anteriormente, elas serão utilizadas para reforço dos paradigmas tradicionais escolares", refere Roberto Carneiro, responsável pela coordenação da conferência.

Na opinião de Roberto Carneiro, a conferência deverá essencialmente esclarecer em que condições e com que catalisadores as novas tecnologias da informação e da comunicação (TIC) poderão ser capazes de operar as mudanças organizacionais e pedagógicas que há muito se aguardam para o modelo educativo do século XXI.

Por outro lado, espera-se que este encontro, que decorrerá na Fundação Calouste Gulbenkian, forneça também pistas concretas "sobre a forma com as TIC e a Internet poderão facilitar a aprendizagem ao longo da vida e motivar franjas mais alargadas da população portuguesa para o esforço formativo que se exige para a plena integração na era do conhecimento", explica o mesmo responsável.
publicado por RiViPi às 05:29

Março 2005
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
17
18
19

20
21
22
23
25
26

27
28
29
30
31


subscrever feeds
comentários recentes
Sou filho de mãe portuguesa e de pai brasileiro te...
Maravilhoso!!! Parabéns pelo artigo. Me ajudou mu...
Caco de Castro Quando a marca Garbin vai voltar???
que vídeo e esse fdp
ne, esse vagabundo n fala nada que presta fdp vf45...
Excelente texto! Por mais que existam rusgas entre...
idiotas vagabundos
Achei muito bom ,muito bem explicado ,legal ,parec...
Pura beleza e força
Interessante, obrigado por partilhar, Luisa
Adorei,Alexandra
Mas vamos deixar esta questão para um futuro próxi...
O que é que acha que lhe faz pensar que ao reduzir...
Parece que o sabão azul e branco já passou à histó...
olá a todos! adorei...mesmo! já agora deixo aqui u...
Do meu ponto de vista não será a forma mais adequa...
Não agradeça. Sobretudo porque este livro não foi ...
foi um artigo que eu gostava. Obrigado por compart...
muito obrigado para o livro. realmente não pensav...
Um comentário interessante ....!
Cara Rosa, lamento que o vídeo não a tenha ajudado...
Boa noite, após muito procurar vim ter aqui nem se...
Gosto especialmente do Tony Amado. O que mais me i...
Kuduro underground . Uma verdadeira relíquia. Mais...
Imagino... Quando estiveres a ouvir as doze badala...
Tenho saudade de Portugal e estas fotos sao tao bo...
Obrigado pelo comentáro.
Muito bom este texto! E engraçado também!
Mais uma vez em cima do acontecimento, embora ache...
Compreendo o seu ponto de vista, TijoloAzul. A Lín...
Na vida nem 8 nem 80. Concordo que o exces...
Obrigado pela correção! Participe sempre!
Por favor, substitua "agricula" por AGRÍCOLA
Alegro-me. Volte sempre e participe.
Enquanto responsável da empresa fico satisfeito pe...
Não tem que agradecer, Ricardo. Quer partilhar a r...
Obrigado pelo post que colocou no seu blog. Felici...
Obrigado pelo teu comentário, Isactamente. Já um p...
Adoro Dulce Pontes!!!!!Em particular, o Amor a Por...
http://www.correiodamanha.pt/noticia.aspx?contenti...
Obrigado pelo reconhecimento. Quando é que entrega...
Olá!É com todo o gosto que informamo-lo que tem u...
Olhe lá. Quer ensinar o pai a fazer filhos? Ou pag...
Não tenho por hábito responder e, às vezes, aceita...
Também esta citação a Irondino de Aguilar foi toma...
Naturalmente, falta referir que o fragmento referi...
Obrigado pelo seu comentário, Fernanda. Realmente ...
Absolutamente notável este post, sobre um tema que...
E maneiras não existem! Vê lá se te atinas anónimo...
lol Não te iria enganar 6! Tá previsto até um almo...
Posts mais comentados
7 comentários
5 comentários
3 comentários
3 comentários
3 comentários
3 comentários
2 comentários
2 comentários
2 comentários
2 comentários
2 comentários
2 comentários
1 comentário
1 comentário
1 comentário
1 comentário
1 comentário
1 comentário
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO