Tudo o que vem à rede é peixe

03
Jun 07
A vírgula assinala uma pausa breve no discurso, separando elementos de uma oração ou orações entre si dentro da mesma frase. A vírgula nunca deve ser usada entre os elementos principais de uma oração, como é o caso do sujeito, predicado, complemento directo, complemento indirecto, predicativo do sujeito e predicativo do complemento directo.

          O João e a Maria compraram os bilhetes
          Eu achei a Joana muito simpática.

Dentro da oração, a vírgula usa-se geralmente:

  • para separar elementos de natureza semelhante ou com função sintática idêntica, quando não estão ligados pelas conjunções e, nem, ou

          O João comprou laranjas, morangos, bananas e maçãs.

Quando estas conjunções ocorrem repetidas numa enumeração, usa-se a vírgula para separar os elementos coordenados:

          Nem eu, nem ele, nem ninguém poderia saber do assunto.

  • para separar o vocativo
          João, o filme é óptimo.

  • para isolar o aposto (entre vírgulas)
          O João, presidente da assembleia, começou a discursar.

  • para separar elementos repetidos
          Isto é meu, meu e só meu.

  • depois dos advérbios sim ou não, quando surgem no início da oração e dizem respeito à oração anterior
          Sim, parece-me que foi isso.

  • depois de complementos adverbiais que ocorrem no início da oração ou entre os seus elementos principais
          De manhã, o João lia, por vezes, o seu livro favorito.



Entre orações, a vírgula é utilizada:

  • para separar orações coordenadas ligadas por conjunção ou não
          Saiu, passeou, correu.

As orações coordenadas introduzidas por e, nem, ou não levam vírgula a não ser que a conjunção se repita:

          Vi-o e falei com ele.
          E ele canta, e dança, e toca.


  • para separar palavras, expressões ou orações intercaladas na frase (entre vírgulas)
          Eu achava, todavia, que o João estava errado.
          Ele está, sem dúvida, maluco.
          O João, dizia-se na aldeia, era muito inteligente.


  • para separar orações subordinadas adverbiais, nomeadamente quando ocorrem antes da oração subordinante
          Quando se deitou, o João sentia-se cansado.

  • para separar o gerúndio e o particípio passado, quando equivalem a orações
          Sentindo-se cansado, foi dormir.

  • para separar orações relativas explicativas, ou seja, aquelas que não são essenciais para a compreensão da frase
          O João, que era meu vizinho, tinha 18 anos.

A vírgula não é usada nas orações relativas restritivas, isto é, aquelas que completam o sentido do elemento antecedente, sendo indispensáveis para se perceber a oração subordinante:

          As associações que fazem parte da organização apresentaram uma proposta.

Na datação de um texto escrito, a vírgula é usada para separar o local de emissão da data propriamente dita:

          Porto, 25 de Abril de 1974



Como podem ver, o uso da vírgula serve, sobretudo, para separar os vários elementos numa frase. E nunca se esqueçam que é um erro grave separar elementos que não podem ser separados. Contudo, a vírgula goza de uma certa liberdade de colocação que pode alterar o significado de uma frase e, como vamos ver a seguir, pode distinguir dois pontos de vista.

Ponto de vista da mulher:
Se o homem soubesse o valor que tem a mulher
,  ficaria de joelhos à sua frente.

 

 


Ponto de vista do homem:

"Se o homem soubesse o valor que tem,  a mulher ficaria de joelhos à sua frente."

A propósito, existe a expressão "não mudo uma vírgula"com o sentido de que não se altera o que foi dito. Com isto fica aberta a possibilidade de que podemos alterar o sentido de uma frase com a colocação da vírgula. O uso de determinado tipo de frases também ajuda à livre colocação da vírgula. Esse tipo de discurso é muito utilizado na política para permitir um variado número de interpretações com a desculpa de que a vírgula está aqui e não alí. Isto, claro, no discurso oral.
Vejam o vídeo abaixo.

publicado por RiViPi às 22:53
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